
Três anos depois, as bicicletas laranjas se espalham por 255 pontos e foram escolhidas o melhor sistema de empréstimo de bicicletas por 21% dos entrevistados pelo Datafolha. O índice sobe para 25% na classe A.
A maioria, porém, respondeu Itaú, e não Bike Sampa, o nome oficial. “As bicicletas têm tom laranja muito evidente, o que gera associação quase automática”, analisa Claudio Santana, professor do ESPM Media Lab.
Além das ruas, o Bike Sampa estreita a relação com os clientes em um espaço nobre: o celular. As bicicletas são liberadas em um aplicativo instalado nos smartphones dos usuários.
“Ao baixar o app, a pessoa informa seu número de celular ao banco. Isso inicia uma relação e aumenta a presença digital”, ressalta Santana.
“Não é um patrocínio, mas uma causa”, diz Luciana de Nicola, superintendente de Relações Governamentais do Itaú e responsável por gerenciar o programa, hoje em sete capitais e duas cidades no exterior.
O serviço é operado em parceria com a empresa Serttel, que fornece a tecnologia, e com a prefeitura, que fixa critérios e localização de estações.
Estudos do banco sobre demanda por bicicletas e circulação de ciclistas embasaram a opção de concentrá-las no centro expandido. Na pesquisa do Datafolha, o serviço foi mais lembrado na região central (31%) e na leste (26%), onde cresceu em 2014.
Porém, ainda atende menos de um terço da cidade. Isso talvez explique o alto desconhecimento: 60% não souberam citar um sistema.
Segundo Luciana, a abrangência atual focada no centro expandido se deve à maior demanda por deslocamentos curtos nas áreas centrais, onde há mais pontos de interesse e estrutura de transporte. “Na periferia, há muitas bicicletas e a demanda é por estacionamento e manutenção. Estudamos como oferecer isso.”
Antes, porém, o Itaú precisa vencer uma concorrência aberta pela prefeitura para definir quem cuidará do sistema. O convênio inicial, de três anos, expirou em maio. O novo edital prevê a instalação de, no mínimo, 400 novas estações até 2018. O resultado está agendado para junho.
“O sistema poderia ter metas mais ousadas”, avalia André Pasqualin, cicloativista. Em Paris, o Vélib já instalou 1.800 estações desde 2007. Nova York quer dobrar a rede até o fim de 2017, com 375 novos pontos.
O banco não revela a proposta, mas comemora os resultados obtidos. “Nosso principal objetivo é contribuir com a mudança”, diz Luciana.
Serviço: Empréstimo de bicicletas por meio de um aplicativo de smartphone
O que oferece: Primeiro sistema de empréstimo de bicicletas a ter larga escala em SP
Criação: Lançado em 2012 em São Paulo (no Rio, começou em 2011)
Contato: bikesampa.com.br e tel. 4003-6055
Fonte: Folha de São Paulo, 30 de maio de 2015